SÃO PAULO, quando (ainda) era da garôa…
Eu era menina, ainda trabalhava nos lugares de jogador lá do centro.
Limpava as latrinas, servia bebida pros perdidos e pros desandados da
vida. Depois tinha que voltar rápido na noite pro casebre onde morava
com meus irmãos, o papai e a mamãe. Dava medo andar no vale do centro de
madrugada, por que lá era lugar de coisa ruim e de sortilégio. Saía do
botequim, andava no meio dos prédios escuros, descia a ladeira e tinha
que subir uma escadaria de mármore para sair do outro lado do vale.
Valia-me da minha fé e dos meus santos.