segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Possessão



Em POSSESSÃO (The possession), do diretor Sam Raimi, a atriz Kyra Sedgwick interpreta a mãe de uma menina possuída por um maléfico demônio.
No longa-metragem, uma menina (Natasha Calis) liberta acidentalmente o demônio Dybbuk, que segundo a tradição judaica, possui e consome o corpo de sua vítima.
O filme nos remete ao clássico O Exorcista (1973), mas não se torna uma cópia ou um spin off. Possessão renova o gênero “possessões demoníacas”, trazendo-o para um contexto mais moderno, sem utilizar os clichês cristãos. A ideia de utilizar-se da tradição judaica funciona bem. O ponto alto do filme é o roteiro muito bem estruturado, que prende a atenção do espectador sem apelar para o uso exagerado de efeitos especiais.
Guardada as devidas proporções, Possessão é um Arraste-me para o Inferno mais refinado. Vale a pena para quem gosta do gênero. Recomendado.

Resenha de L.H. Hofmann

PERFIL DO AUTOR - ENTREVISTA - J. Modesto



OUTUBRO 2012 
J. MODESTO



J. Modesto é Arquiteto e Urbanista, fã ardoroso de Histórias em Quadrinhos (HQs), cinema e amante dos livros, iniciou sua carreira literária em 2006 e não mais parou. É autor de livros de Literatura Fantástica, sempre com um toque do Brasil, e participante de várias coletâneas, dentre as quais se destaca a AMOR VAMPIRO.

Fontes da Ficção – Modesto, primeiramente, agradeço por nos conceder esta entrevista e começo pedindo para que fala um pouco do início de sua carreira como escritor.
J. Modesto – É eu que agradeço a oportunidade que o Fontes da Ficção está me dando de falar um pouco do meu trabalho como autor. Minha fascinação pela escrita começou na adolescência, época que era um grande devorador de Gibis e livros da Agatha Christie. Foi nesse período que escrevi vários contos misturando Super-Heróis, mistério e suspense. Um dos personagens do meu primeiro livro, TREVAS, foi criado durante essa fase. Posteriormente, fui apresentado as obras de H. P. Lovecraft, mergulhando no mundo do Terror, de onde não mais saí. Contudo, apesar da criação literária abundante, era muito tímido e avergonhado para mostrar meus textos. Contudo, uma colega de trabalho que também escrevia leu e me incentivou a publicar. Criando coragem, procurei uma editora e meu primeiro romance foi publicado em 2006. De lá pra cá, já foram três obras solo e 2 participações em coletâneas. Neste ano deve sair mais duas coletâneas com minha participação e tenho outros cinco originais prontos para analise pelo meu editor, visando a próxima publicação de um livro solo para o segundo semestre de 2013.

Fontes da Ficção – Bem, vamos às perguntas de praxe: Quais são suas principais influências literárias?
J. Modesto – As duas mais fortes são sem dúvida as HQs e o Cinema, mas sofri muitas outras influencias na área literária, pois desde cedo fui um leitor ávido. H. P. Lovecraft foi uma influencia marcante em minha decisão de enveredar pelo Terror. Mas também bebi de fontes como Stephen King, Anne Rice, Edgard Alan Poe e André Vianco, dentre outros.

Fontes da Ficção - Do seu primeiro livro publicado (Trevas) até o mais recente (Vampiro de Schopenhauer), quais foram as principais mudanças que você pôde perceber no escritor J. Modesto e na Literatura Fantástica como um todo?
J. Modesto – Pergunta complexa. Deixe-me pensar um pouco... Bem, em mim, creio que o que vem melhorando é a escrita, algo natural, uma vez que tal qual qualquer outra coisa, quanto mais se usa, maior experiencia e qualidade se adquire. Meu vocabulário, conhecimento de gramatica e ortografia, bem como forma de estruturar os textos vem se aperfeiçoando constantemente. Meu estilo de escrita também vem evoluindo, mas sem perder minhas características.

sábado, 20 de outubro de 2012

PERFIL DO AUTOR - J. Modesto



PERFIL DO AUTOR
OUTUBRO/2012


 










 


 J . MODESTO



             J. Modesto é paulistano. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, é apaixonado por literatura desde a adolescencia. Fã de Historias em Quadrinhos (HQ) e cinema, seu estilo de escrita deixa transparecer muito os traços dessas suas influências. Iniciou sua incursão pelo universo da escrita, mais precisamente na Literatura Fantástica – Terror, oficialmente em 2006, quando publicou seu livro de estréia TREVAS. Desde então, vem produzindo incessantemente. Foi, juntamente com Martha Argel e Ednei Procópio o idealizador da coletânea AMOR VAMPIRO (2008), marco da Literatura Fantástica Nacional, premiada com o Prêmio CODEX de OURO de 2011 como melhor antologia em conjunto. Seu livro de maior destaque é Trevas.
            Além de escritor, divide seu tempo com suas outras paixões: cinema, desenho e culinária. Também é um dos idealizadores e fundadores do FONTES DA FICÇÃO, administrando o site e os famosos Encontros do Fontes até o final de 2010, quando o mesmo iniciou uma reestruturação, trocando de administradores. Atualmente é um dos colaboradores do site.

  BIBLIOGRAFIA

                J. Modesto possui a seguinte bibliografia:

                Ficção

            Trevas (2006)
            Anhangá – A Fúria do Demônio (2008)
            Vampiro de Schopenhauer (2012)

Coletâneas
            Amor Vampiro (2008)
            Anjos Rebeldes (2011) 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

PERFIL DO AUTOR - CONTO - Nelson Magrini

SETEMBRO 2012 - NELSON MAGRINI




Era sempre assim, não importava o dia da semana ou a época do ano, fizesse calor ou muito frio. Também não importava quem eram aquelas pessoas ou suas idades. A noite mal começara e já fervilhava na grande cidade, fosse aqui ou em um distante lugar do mundo, e fora raras exceções, todos buscavam as mesmas duas coisas, os dois desejos mais perseguidos e, ao mesmo tempo, fáceis e banais, diversão e sexo.
No jargão do comportamento humano, sexo poderia abranger desde um beijo fortuito, roubado de modo insuspeito, ou uma mão que passeava e avançava com mais ousadia e ímpeto, às vias de fato, e era esse êxtase da procura que motivava e agitava as pessoas, de maneira consciente ou não.
Já diversão podia ser compreendida como um termo mais amplo e, em muitos casos, envolvia o próprio sexo. E lugares propícios a qualquer tipo de diversão não faltavam. Baladas, casas da moda, restaurantes clássicos ou exóticos, lugares requintados ou rústicos, para todos os gostos e padrão social. Nesse sentido, a noite na metrópole era viva e se agitava como um animal selvagem, com fogo nas entranhas e sede de movimento ininterrupto.
E nessa mescla de pessoas e tribos, cada qual possuía seus próprios caminhos e cantos, alguns espetacularmente iluminados e chamativos, enquanto outros, escuros, sombrios e escondidos.
Todavia, existiam aqueles que não se contentavam com variedade e, julgando-se especiais, se autoproclamavam descolados, indivíduos que, sabe-se lá por que, era invejados por muitos, em suas atitudes, modismos e posturas. Apesar de tal adoração silenciosa, tais pessoas procuravam recantos de exclusividade como alternativa à massa de consumo e sabiam de espaços diferentes, sem luzes chamativas por fora ou letreiros que brilhavam. E de todos esses lugares, o mais alternativo era conhecido por La Macchina.
Construído dentro de um antigo galpão de fábrica, com sua aparência exterior feia e suja mantida inalterada, era isolado acusticamente e não possuía letreiro ou qualquer outra forma de identificação. A propaganda à boca miúda dava o tom de exclusividade. Também não se formavam filas. Assim que a capacidade da casa se completava, independente da hora, a porta externa era fechada e trancada, até porque as pessoas presentes só deixariam o local quando com a manhã já avançando, e nada do lado de fora denunciava o quê ali se passava. Basicamente frequentada por jovens, era um meio termo entre o requinte e o rústico, e comportava frequentadores das mais diversas classes sociais.
Talvez tenha sido essa mescla de tipos que o atraiu; talvez, apenas o puro acaso, ninguém nunca saberá.
O som marcante, martelado nas batidas eletrônicas, ecoava forte na pista agitada quando a porta interna, em uma parte mais isolada do recinto, junto aos caixas e à saída, se abriu de modo inesperado. Dois seguranças, de pronto, se posicionaram à frente de um desconhecido que entrara, ambos tomados de surpresa, querendo compreender como ele ingressara depois que a casa havia sido trancada, mas de súbito, como que encantados com o que viam, lhe abriram passagem, quase lhe fazendo uma reverência, inesperadamente surdos para todo o demais.
O estranho vestia uma túnica branca, que lhe cobria o corpo como um todo, somado a um par de sandálias douradas, a mesma cor do cordão que lhe estreitava a veste à cintura.
Sem demonstrar qualquer incômodo com o som alto e as luzes coloridas, fortes e brilhantes, ele se infiltrou no meio da multidão, sequer se dando atenção de que, um a um, os frequentadores deixavam de fazer o que faziam e lhe abriam passagem, passando a admirá-lo, sem perceberem que à medida que o desconhecido se aproximava do centro da pista, a música ia diminuindo cada vez mais, como guiada por dedos mágicos de um DJ fantasma, até cessar por completo.
No entanto, por mais que o observavam, era impossível para qualquer um descrevê-lo. Certamente, não era um homem travestido de mulher, o mesmo se dando em relação a uma mulher com roupas de homem. Aquele ser trazia uma mescla categoricamente singular de masculino e feminino em um único corpo, uma amálgama das características de ambos os sexos.
Sem esboçar qualquer palavra, absoluto no silêncio que agora imperava, puxou uma garota para si, estreitando-a contra o corpo, e a beijou na boca, um beijo lânguido e demorado. Em seguida, fez o mesmo com um rapaz próximo.
Quando desatou o cordão e deixou a túnica cair, revelou um par de asas brancas e altivas e, ainda assim, ninguém estranhou, todos tomados por um fascínio que não os fazia desgrudar os olhos daquele verdadeiro ser celestial.